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primeira vacina contra malária

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Vacina contra a Malária está pronta e começará a ser comercializada em Outubro

Como age a vacina contra a Malária

"Pela primeira vez existe uma vacina contra a malária que chega à última fase de um estudo clínico em crianças e demonstra resultados positivos em termos de eficácia e segurança, embora aquém do ideal, pelo menos durante quatro anos. Foi testada em África e começará a ser comercializada em Outubro.

 

A primeira vacina contra a malária chegou à fase final de testes - um passo fundamental antes da comercialização - e apresentou protecção parcial até quatro anos num terço das crianças imunizadas.

Apesar da eficácia limitada, os resultados foram vistos com entusiasmo pelos cientistas, já que foi a única imunização até agora a ter sucesso em estudos clínicos avançados contra uma doença que mata 1.300 crianças diariamente na África Subsariana, o equivalente a uma por minuto. Se for aprovada pelas agências reguladoras internacionais, a vacina poderá estar disponível em Outubro, transformando-se na primeira contra uma doença humana parasitária.

Este ensaio, o maior jamais realizado com crianças e bebés no continente africano, envolveu 15.459 participantes divididos em duas categorias de idade - crianças (entre 5-17 meses quando receberam a primeira dose da vacina) e bebés (com 6-12 semanas) - de sete países da África Subsariana: Burquina Faso, Gabão, Gana, Quénia, Malawi, Moçambique e República da Tanzânia, com diferentes níveis de transmissão da malária.

Os resultados finais demonstram que a vacinação com a denominada RTS,S seguida de uma dose de reforço 18 meses depois reduz os casos de malária clínica em crianças entre 5 e 17 meses em 36% durante o seguimento de quatro anos; e em recém-nascidos entre 6 e 12 semanas, em 26%.

A eficácia da vacina, não obstante, decai com o passar do tempo em ambos os grupos. A dose de reforço é crucial. Sem ela, a protecção frente à malária é menor: nos bebés situa-se nos 28% e, nos recém-nascidos, nos 18%.

E este dado é muito importante, dado que em locais com alta incidência de malária as crianças podem sofrer entre três e quatro episódios por ano. Há que destacar, mesmo assim, que a eficácia desta vacina foi avaliada em contextos onde já se aplicavam outras medidas para o controlo da doença, como redes antimosquito impregnadas em insecticida.

Que a eficácia da RTS,S seja menor em recém-nascidos que em bebés com maior idade é algo comum a muitas outras vacinas. Ao nascer, o sistema imunitário é imaturo, pelo que não está ainda preparado para responder à vacina.

Daí que a maioria se administre quando o bebé já tenha alguns meses. Durante duas décadas, a vacina RTS,S/AS01 foi desenvolvida pelo laboratório GlaxoSmithKline graças a fundos da Fundação Bill & Melinda Gates.

Para os especialistas, a imunização será uma das muitas armas contra a malária, assim como a utilização das redes mosquiteiras tratadas com insecticida, testes rápidos de diagnóstico e medicamentos.

O maior flagelo de Angola

Os cientistas procuram uma vacina contra a malária há 20 anos. O parasita da malária - Plasmodium falciparum, cujos vectores são várias espécies de mosquito do género Anopheles - tem um ciclo de vida complexo e ao longo dos séculos aprendeu a resistir ao sistema imunitário humano.

Os avanços médicos conseguiram atenuar significativamente a mortalidade desta doença na última década (os casos diminuíram 47%, embora em países como Moçambique a patologia tenha crescido), mas continua a ser considerada epidémica em 19 países, a maioria subsarianos.

Estima-se que cerca de 600 mil pessoas morrem todos os anos na África, na sua maioria crianças com menos de cinco anos. Moçambique é na actualidade um dos dez países com maior carga de malária, com uns sete milhões de casos em cada ano e 18.000 mortes relacionadas com esta doença, segundo as últimas estimativas realizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A complexidade de o vírus e o facto de se sobreviver a uma infecção de malária não significar tornar-se imune a ela (factor que explica que as vacinas não sejam 100% eficazes) fazem com que se desleixem os esforços dedicados à prevenção, os números de infectados voltam a subir.

Esta doença está a fazer grandes estragos no continente africano: as famílias destinam um terço das suas economias para a prevenir, para além dos governos fazerem um grande esforço económico para lutar contra a malária (por exemplo, a Tanzânia destina 40% do seu orçamento da saúde e calcula-se que no ano passado África perdeu à volta de 7.000 milhões de dólares por causa desta doença.

A malária continua a ser a principal causa de internamentos e de mortes em Angola (é hiper-endémica nas províncias de Cabinda, Uíge, Malange, Lundas Norte e Sul e Cuanza Norte), com 18 óbitos por dia, sendo considerado pelas autoridades de saúde angolanas como um caso de saúde pública.

De acordo com números do coordenador do Programa Nacional de Controlo da Malária, Filomeno Fortes, divulgados recentemente em Luanda, o País, com uma população que ronda os 24,3 milhões, apresenta um registo anual de três milhões de casos clínicos e 6.000 óbitos e é o nono país com mais mortes atribuídas à malária entre 43 Estados africanos onde a doença é endémica.

No entanto, apesar do cenário terrível, 2015 tem tudo para ser um ponto de viragem na estratégia para lidar com esta infecção parasitária e a OMS tem um plano mais ambicioso para o período 2016-2030, produzido em parceria com países onde há mais casos.

O primeiro objectivo é reduzir as mortes em 40% até 2020 e depois trabalhar para redução de 90% das fatalidades até 2030. A OMS também quer erradicar a malária de 35 países durante os próximos 15 anos."


In Jornalexpansão.co.ao